Há três meses, iniciei minha jornada no posto C3, na internação do SUS. Cheguei com o coração lavrense – vindo de Lavras do Sul, terra do ouro e da tradição gaúcha – e fui acolhido por uma equipe que, mais do que colegas, virou quase uma família. Uma enfermeira de São Borja, cidade histórica às margens do Rio Uruguai, terra dos presidentes e do famoso Museu Getúlio Vargas, lidera com firmeza e doçura.
Trabalho ao lado de técnicas vindas de todos os cantos: de Alecrim, no noroeste gaúcho, cidade pequena, mas cheia de beleza natural, como o Parque do Rio Lajeado; de Bento Gonçalves, com seus vinhedos encantadores, a rota dos vinhos e o famoso passeio de Maria Fumaça; de Macapá, capital que abraça o Rio Amazonas e guarda o espetacular Marco Zero do Equador; e do Pará, que nos traz o encanto do Ver-o-Peso, das ilhas de Belém e dos sabores únicos da culinária nortista.
Nosso plantão é um mosaico de sotaques – da serra, da fronteira, do pampa e da floresta. Às vezes, alguém arrisca imitar o jeito de falar do outro: é riso certo e uma forma carinhosa de aliviar a tensão dos longos plantões. Mas, mais do que sotaques, compartilhamos vivências. Entre um cuidado e outro, surgem conversas sobre as festas do Norte, os costumes do Sul, os cheiros das comidas típicas, os jeitos de ser de cada canto do Brasil.
E o mais bonito disso tudo é ver como a diversidade vira harmonia. Cada um com sua história, mas todos com o mesmo propósito: cuidar. Cuidar com respeito, com empatia e com alegria. Porque, no fim, somos uma só equipe – e, mesmo falando diferentes “línguas”, falamos a mesma quando o assunto é amor pelo que fazemos.
Por Marcelo Marques
Técnico de Enfermagem
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