No meu plantão recebi uma paciente de 71 anos, trazida pelo SAMU após crise de dispneia, tosse e sibilos. Já havia recebido terbutalina SC e doses de salbutamol no pré-hospitalar, com melhora parcial. No leito, encontrei-a prostrada, confusa, taquipneica leve, com sibilos bilaterais marcantes, mas sem febre. O médico definiu conduta de otimizar broncodilatadores, iniciar antibiótico, solicitar painel viral, acionar fisioterapia respiratória e internar em enfermaria para manejo máximo no leito.
As orientações para a equipe de enfermagem foram diretas: monitorar continuamente SpO₂, (saturação periférica de oxigênio) é a porcentagem de hemoglobina no sangue que está carregada de oxigênio, ou seja, a quantidade de oxigênio que os glóbulos vermelhos estão transportando em relação à capacidade total, frequência respiratória e ritmo cardíaco; observar efeitos colaterais dos broncodilatadores; manter oxigenoterapia conforme prescrição; administrar nebulizações seriadas com associação de broncodilatadores; iniciar corticoide sistêmico; cuidar da hidratação e estar atentos ao risco de delirium e quedas.
Ao iniciar minha assistência, iniciei com a instalação do oxigênio suplementar. Expliquei cada passo:
— Dona Maria, vou colocar essa máscara, ela vai ajudar a senhora a respirar melhor, tudo bem?
— Tá certo, meu filho… só me ajude a não sufocar.
Realizei as nebulizações, permanecendo ao lado para observar resposta clínica.
— Vai sentir uma fumacinha entrando, mas é para abrir seus pulmões, combinado?
— Se aliviar, eu agradeço. É ruim demais essa falta de ar.
Ajustei o leito em posição confortável para facilitar a ventilação, incentivei hidratação oral quando possível e registrei cada cuidado prestado. Mantive vigilância constante, avaliando melhora da paciente, checando saturação e monitorando riscos de infecção ou queda.
Encerrando o turno, percebi como pequenos gestos — segurar a mão durante a nebulização, ajustar o travesseiro, explicar cada detalhe — foram essenciais para dar segurança e conforto a uma paciente tão frágil. Naquele dia, a vovó resistente respirou um pouco melhor, e eu saí com a sensação de ter feito diferença.
Marcelo Marques
Técnico de Enfermagem