Durante 15 dias, acompanhei um paciente de 59 anos nascido em Uruguaiana, na fronteira gaúcha, diagnosticado com pancreatite. A pancreatite é uma inflamação do pâncreas que pode ser aguda ou crônica, geralmente causada pelo consumo excessivo de álcool, cálculos biliares ou outras condições de saúde. Os sintomas incluem dores abdominais intensas, náuseas e febre, exigindo tratamento cuidadoso e monitoramento constante.
Nos primeiros dias de internação, vi no olhar dele a preocupação não apenas com a doença, mas também com a saudade de casa, pois mora há 10 anos em Bento Gonçalves. Conversávamos todas as noites sobre a vida na fronteira gaúcha, sobre o vento minuano que sopra forte, os desfiles tradicionalistas e o chimarrão compartilhado entre amigos. Falávamos da lida no campo, dos bailes, das cavalgadas e da hospitalidade do povo fronteiriço. Era nesses momentos que o peso da doença parecia amenizar um pouco.
À medida que os dias passavam e o tratamento fazia efeito, percebi sua inquietação em voltar para sua terra natal. Mas também sabia que o compromisso com a saúde deveria vir em primeiro lugar. No meu último plantão com ele, deixei um conselho claro: “Quando voltar para Uruguaiana, não deixe de seguir o tratamento até o fim. Te cuida, vivente, que ainda tens muitas estradas para cruzar.”
Ele sorriu e apertou minha mão, como quem aceita um desafio. E assim seguimos, cada um com sua missão, mas sempre com a certeza de que, na jornada da vida, o cuidado e a amizade são laços que nunca se desfazem.
Por Marcelo Marques
Técnico de Enfermagem
Foto: Prefeitura de Uruguaiana/Divulgação
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