Por volta das 23h, chega o momento do meu jantar. No meio do plantão noturno, é essa pausa que me permite respirar fundo e, muitas vezes, viver momentos preciosos.
É nessa hora que costumo encontrar o novo amigo e colega Marcos, da gestão de fluxo. Sentamos à mesa, dividimos a refeição e conversamos sobre a vida, o trabalho e o mundo. São pequenos encontros que aquecem a alma.
Quando nossos horários não coincidem, sempre há outros colegas no refeitório. E é aí que começa uma das partes mais ricas do meu trabalho: as trocas culturais.
Gente de todo canto do Rio Grande do Sul, de diferentes estados do Brasil como Pará e Maranhão, e até de outros países, como o Haiti, sentam à mesa comigo. E eu, curioso por natureza, sempre puxo assunto — geralmente começando pela comida, que revela tanto sobre quem somos.
Essas conversas simples me fazem viajar sem sair do hospital. Falo sobre a vida na fronteira, aprendo tradições do Norte, histórias do Caribe, formas diferentes de ver o mundo e de encarar os desafios da vida e da profissão. Descubro semelhanças e celebro as diferenças.
No fundo, é nesse cotidiano que percebo o quanto a diversidade nos enriquece. O hospital, que muitas vezes é visto como um lugar de dor, também é um espaço de encontro, de aprendizado e de afeto.
O mais bonito de tudo é perceber que, mesmo com sotaques diferentes, idiomas variados ou costumes distintos, todos nós temos algo em comum: o desejo de viver, de cuidar, de trocar experiências e de seguir em frente com dignidade e respeito. A diversidade não nos separa — ela nos aproxima.
Por Marcelo Marques
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