Você acha que para trabalhar na enfermagem basta cuidar? Pois saiba: às vezes, também é preciso ser quase um poliglota! Nesta semana, durante meu plantão noturno, conheci uma paciente de 103 anos — uma verdadeira joia rara. Brasileira de nascimento, mas com raízes profundas na pequena Schiavon, no coração da Itália, ela trouxe para o hospital uma bagagem cultural impressionante.
Quando me apresentei como técnico de enfermagem, ela respondeu um educado “tá bene”. Mas bastou eu fazer as perguntas de rotina para perceber: ela não tinha entendido muita coisa! Foi a filha, fluente no dialeto italiano, quem traduziu nossa conversa. Mesmo com a barreira linguística, a conexão foi imediata.
Entre medicações e aferições de sinais, surgiram histórias encantadoras sobre sua juventude na colônia italiana próxima a Bento Gonçalves. Cada sorriso dela era um lembrete de que a vida é feita de coragem, fé e muito humor. Mesmo enfrentando osteoporose e outras comorbidades, ela jamais perdeu a alegria de viver. E olha que, aos 103 anos, era sua primeira hospitalização!
Um verdadeiro exemplo de que a saúde vai muito além do corpo — é também um reflexo da alma leve e do coração cheio de esperança. Ela me ensinou que, na enfermagem, entendemos mais do que palavras. Entendemos olhares, gestos e sentimentos. E que, para cuidar de alguém, às vezes basta ouvir com o coração.
Por Marcelo Marques
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