Diário de um Técnico de Enfermagem – O churrasco dos guri

Intervalo no hospital é coisa sagrada, quando acontece, vira quase um evento. No refeitório, por cerca de trinta minutos, a equipe se reúne para jantar e colocar a conversa em dia.

O Técnico de Enfermagem Marcelo, lá de Lavras do Sul, sempre puxa o assunto do pampa gaúcho, com suas tradições e festas. Da Gestão de Fluxo, Marcos e Samantha, de São Francisco de Assis, juram que a melhor festa do Rio Grande do Sul acontece na Região Central do Estado. Já a enfermeira Jennifer, de São Borja, não perde a chance de enaltecer sua região.

Entre um prato de comida e outro, surgiu a ideia entre o Marcos e o Marcelo de fazer um churrasco e reunir a turma: “Bah, vamos fazer um churrasco dos guri! A gente só fala de tradição e carne boa, mas nunca assamos nada juntos!” Todos concordaram e até convidaram Michel, o paulista recém-chegado de Santos. Ele, acostumado a praia e pastel de feira, ficou animado com a ideia.

O problema? Já se passaram 50 dias e o tal churrasco nunca saiu do papel. Cada intervalo de jantar é a mesma coisa:

“Vamos marcar pro fim de semana!”
“É, mas esse sábado não dá, tem plantão…”
“E domingo?”
“Domingo eu descanso, tchê!”

E assim, o churrasco segue sendo um mito hospitalar.

Michel, que trabalha no turno inverso até brincou pelo Whatsapp: “Acho que vou voltar pra Santos antes de ver essa carne assando!”

Mas no fundo, todos sabem: mais importante que o churrasco é a amizade que nasceu entre as refeições e os plantões. Porque no hospital, a vida é corrida, mas um intervalo bem aproveitado vale mais do que um espeto de picanha… ou quase!

Por Marcelo Marques
Técnico de Enfermagem
Jornalista